Entre o fim e o começo

É na véspera do ano novo em que estou tentando fugir das pessoas que resolvo voltar a blogar. Foram vários os motivos que me fizeram parar com o blog. Cheguei a escrever alguns textos que me faziam sentir exposta de mais, como se me despisse em uma avenida movimentada. Não queria me despir, não queria que ninguém visse daquela maneira. Ao mesmo tempo tudo que mais queria era gritar no meio de uma avenida movimentada o que estava (e está) acontecendo. Que eu não estou bem, porra, e faz muito tempo desde a última vez em que realmente estive bem. Me encontrei em um impasse e pareceu mais simples naquele momento simplesmente guardar meus pensamentos e sentimentos apenas pra mim. Passei um bom tempo sem escrever uma única linha, guardando tudo dentro de mim e mesmo agora não sei dizer se isso foi a coisa certa ou simplesmente piorou a situação.

Também tem o problema de que as poucas coisas que escrevi na minha tentativa de voltar com o blog agora me parecem dramáticas, exageradas, exacerbadas ao ridículo. Eu me despi e o quadro geral não foi nada bonito. Eu não posso negar, tenho uma veia dramática latente, tenho uma predisposição natural ao papel de mártir, tenho um apetite voraz pelo sofrimento e uma tendência inegável a autodestruição. Sou feita dos piores defeitos, os mais marginalizados, os mais difíceis de admitir, os mais evitados e repudiados. No momento não me preocupo com isso, deixo a reflexão para mais tarde. Estou traçando um caminho para a autoaceitação.

 Eu não sei se escrever vai me ajudar a refletir sobre a pessoa que sou e a pessoa que desejo ser, mas como muitos outros antes de mim, darei uma chance a essa opção. Eu sei que no momento não sou uma pessoa realmente boa e para o próximo ano desejo ser melhor do que isto. Porque isto que eu sou agora é patético, é mesquinho, é negativo, é covarde. É tudo que eu não quero ser e acabei me transformando no decorrer desse ano desgraçado.

 Para 2014 tudo que eu quero é ser melhor. Ser uma versão melhor de mim mesma. Porque eu sei bem no fundo que toda a merda que aconteceu esse ano foi consequência direta de tudo que eu fiz, do que eu me tornei. Usando o ditado popular, eu colhi o que plantei. E se eu for melhor, talvez coisas melhores acontecerão. É com isso que estou contando.

Tchau por enquanto. Desta vez não demoro tanto a voltar.

Algo pior do que julgar um livro pela capa

Sempre acreditei que julgar as pessoas pela aparência (“Julgar o livro pela capa”) fosse uma das coisas mais vazias, incompreensivas, fúteis e dolorosas que você pode fazer com uma pessoa. Uma atitude que em algum momento da vida todos acabam fazendo e na maioria das vezes a pessoa não merece esse desprezo. Ela é uma pessoa, como você, com sentimentos e com uma história pra contar. Todos nós somos. Eu já fui muito julgada “pela capa” e entendo como isso pode ser doloroso. Uma das piores coisas. Até eu perceber que existe algo pior, algo que eu faço com certa frequência: julgar um livro de trezentas páginas pelas primeiras cinquenta e achar que ele não tem mais nada para oferecer.

As primeiras cinquenta páginas sempre são as mais superficiais, uma apresentação da história. Não tem aprofundamento, não tem vínculo o suficiente pra algo mais profundo. Quantos livros eu já li que só ficaram realmente bons depois da metade? Se eu tivesse desistido logo nas primeiras cinquenta páginas nunca poderia ter desfrutado de tudo que aquele livro tinha para me oferecer. E muitos desses livros se tornaram os meus preferidos, os mais amados, a fofurinha da prateleira de leitura. Eu teria perdido muito se não tivesse me aberto e permitido que esses livros me conquistassem, me mostrassem o que eles tem por dentro e como eles são únicos e especiais a sua maneira. É preciso paciência e compreensão, duas coisas que as pessoas não costumam ter comigo e eu, por besteira, pelo desejo inconsciente de continuar uma tradição cruel acabo fazendo isso com os outros. É um ciclo, aquela mesma história do garotinho que apanha do pai e decidi bater no seu próprio filho, pois simplesmente parece o correto. É claro que existem exceções. Sempre existem exceções, sempre existe aquele pai que decide tratar o filho melhor para que ele não tenha que sofrer como ele sofreu.

O segredo, que apareceu pra mim durante um momento Eureka nessas madrugadas de insônia, é ter uma mente bem aberta. Livros são mais parecidos com pessoas do que você pode imaginar. Existem aqueles livros ótimos no começo e que ficam terríveis com o passar do tempo e você não vê a hora de terminar com eles de uma vez, os livros que são ótimos do começo ao fim, os que começam apenas bons e terminam de uma maneira genial e aqueles que começam devagar, quase ruins e te surpreendem no final com uma história tocante e apaixonante que você nunca poderia ter imaginado. É claro, um livro terrível pra você pode ser o livro da vida de uma outra pessoa. É algo bem relativo, é tudo uma questão de gosto. Tem pessoas que amam Crepúsculo, outras amam Harry Potter, algumas amam os dois e outras não gostam de nenhum. É tudo muito complicado e a não ser que esse “livro” tenha te ofendido de alguma maneira, você não tem motivos para odiá-lo. Ele pode simplesmente não ser o seu tipo de livro. Acontece.

A ideia veio literalmente de um livro. Estava lendo Cante para eu dormir e nas primeiras cinquenta páginas fiquei indignada com o rumo que a história estava tomando. Pensei até mesmo em desistir, mas uma coisa boa em mim é que eu até posso desistir de pessoas, nunca de livros. No final eu cheguei a chorar e me apaixonei pela história. O que aconteceu é que pelas resenhas que eu tinha lido (bem por cima, pra evitar spoilers) eu pensava que seria um livro sobre bullying e no final percebi que é um livro sobre amor, sobre aprender a amar. O que aconteceu foi um erro de comunicação, admito, e por isso comecei a ler o livro já com uma opinião formada sobre ele e cobrando demais. Um erro bem comum, tanto com livros como com pessoas. Não cometam o mesmo erro que eu cometi e se existe alguém por aí que ainda não leu Cante para eu dormir, leiam. Recomendo de verdade. Só não tentem fazer com o que ele seja algo que não é. Outra coisa que também funciona com pessoas.

Olá

Odeio começos tanto quanto odeio finais. Mas tudo tem que começar de alguma maneira e bom, esse blog começará assim. Passei horas pensando, cogitando, escrevendo e deletando…procurando por uma fórmula perfeita para o primeiro post perfeito. Eu, melhor do que todos, deveria saber que não existem coisas perfeitas. Pra mim pelo menos elas nunca se tornaram reais.

Então o começo vai ser assim, sem muita enrolação, sem muita poesia, sem muita introdução. Se você me conhece do Sendo Mariella provavelmente já sabe tudo sobre a minha mente ferrada, minha veia dramática e meus problemas, tanto os inventados como os reais (reais demais pro meu gosto). Se você não me conhece do Sendo Mariella e chegou a esse blog por algum outro motivo obscuro, seja bem vindo e ignore tudo que eu disse antes disso. Já aviso que causar boas primeiras impressões não é meu forte e não me surpreenderia se você fechasse a página nesse exato momento e nunca mais voltasse. Caso resolva ficar é por sua conta e risco.

Para mais informações e para descobrir um pouquinho mais dos por quês por trás desse blog recomendo uma visita a página Explicando Mariella. Bom, acho que é isso. Consegui finalmente começar e nem doeu (muito).

Até o próximo post. Sem promessas dessa vez.